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A CADEIRA MÁGICA

  • Douglas N. L. Oliveira
  • 23 de jun. de 2017
  • 2 min de leitura



Telma Cunha, nascida em São Francisco do Pará, em 28 de Dezembro de 1974, é escritora e possui três livros publicados: Voo de Borboleta, Folhas Soltas e Sob os Lençóis de Eros.

A Cadeira Mágica (2017) foi gentilmente cedida pela editora Paka-Tatu para a resenha aqui apresentada.

 

O livro A Cadeira Mágica possui trinta e três páginas de um trajeto que conduz o leitor a uma viagem na infância de Pititinha, personagem principal do livro, mas que por vezes assemelha-se a histórias pessoais de cada um de nós. A magia da infância permanece para sempre preservada na memória, e Telma Cunha nos faz reviver tais lembranças através de sua personagem, poética, mágica e encantadora.


Que a infância é um momento em que a vida parece uma eterna fantasia, disso não há dúvidas, todavia, crescemos e embrutecemos com a realidade, que por diferentes instantes parece forjar-se de insensibilidade. O livro A Cadeira Mágica apresenta-se como uma fresta, uma pequena rachadura, dentro da realidade endurecida, da vida adulta, para que lembremos que a magia da infância não se perdeu, apenas esqueceu-se de ser revivida dentro de nós. As “borboletas de mil cores” aguardam a primavera, a chuva ainda espera pela brincadeira pueril, pelos tantos pés descalços, pelos risos soltos. Hoje avistamos a chuva e fechamos as janelas, quando antes bastava uma gota para transbordar-nos a alegria Perdemo-nos ou esquecemos o caminho? Trocamos as “asas” por alforjes que não nos fazem voar?


Pititinha nos ensina que “as histórias encantadas nunca tem fim...”, assim, em reticências, são inacabáveis, apenas esperam pela visita do que fomos e hoje nos esquecemos de ser: crianças! A menina aprendeu a “se entregar ao vento e sabia voar nas asas da poesia”, e soube naquele instante que nunca mais sofreria de solidão, a palavra nos dá asas, e a poesia são nuvens enfeitando o céu.


A história da Cadeira Mágica é uma ambivalência literária: a criança que escuta a história imaginará diversos cenários e o adulto que lê a história recordará das vivências ocorridas em tempos não tão distantes. A sensibilidade da autora afaga a rigidez dos amadurecidos dias, nos convida às lembranças de tantos “sararas” que nunca mais vimos, de tantas “Donas Maria” que em nenhum momento lembramo-nos de visitar, “porque com conta-gotas não se mata a sede de ninguém” muito menos a de uma saudade.


As palavras de Telma Cunha “viraram estrelas faiscantes” não somente na menina dos olhos de seus amigos, mas tremeluziram também em meu olhar. Que o adulto de hoje seja como Pititinha: após a chuva, que tenhamos minúsculas borboletas saindo de nossos cabelos e colorindo o céu em arco-íris, e que tenhamos a certeza de que “um dia desses, sem falta, a gente vai ser feliz”.


 
 
 
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© 2016 por Douglas N. L. Oliveira

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