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ÁGUA DA FONTE

  • Douglas N. L. Oliveira
  • 10 de set. de 2017
  • 3 min de leitura

João de Jesus Paes Loureiro.

Água da Fonte: (poesia). São Paulo: Escrituras Editora. 2008. 208p.

 

A poesia é um dos gêneros mais apreciado na história da literatura mundial, desde o poeta grego Homero, que no século VIII a.C. narrou ao mundo, através da poesia épica Ilíada, os acontecimentos decorridos na Guerra de Tróia, a poesia alcançou os vários cantos do mundo, e passou a compor a expressão artística da “alma” humana. O poeta romano Horácio, 65 a.C., dizia: “a poesia é como uma pintura”; acentuando a frase de Homero, Voltaire, um dos grandes nomes da filosofia iluminista do século XVIII, afirmava ser a poesia “a música da alma, e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais”.


A poesia atravessou os oceanos, enfrentou mares turbulentos, narrou guerras homéricas; apresentou-se monóstica (estrofe com um verso), estruturou-se em soneto (formada por duas quadras e dois tercetos), compôs-se balada, haicai, etc. Tantas estruturas deram ao poema sem nunca perder a poesia.


Por oposição à prosa, a poesia é escrita em versos. Versos que as crianças aprendem a escrever na 4ª série, versos que adultos escrevem – digitam – nos papéis, que mais tarde, sempre mais tarde, intencionam virar livro. Ah o livro... Jorge Luis Borges, escritor argentino, e um dos maiores críticos literário, dizia-nos: “o livro é uma extensão da memória e da imaginação”. Somemos, então, a poesia como pintura, e música da alma, teremos o livro como extensão da memória e imaginação, conforme a frase de Borges.


Atravessado o oceano, a poesia atracou em terras paraenses, especificamente nas terras de Abaetetuba. Lá a poesia construiu um tecido de narrativas em versos no coração do escritor João de Jesus Paes Loureiro, que escreveu tantos poemas, pintou, através da palavra, os elementos amazônicos, musicou a essência da poesia com o cotidiano descrito no livro ÁGUA DA FONTE.


Observemos: qual a fonte da poesia?


Há tantos poetas e tão poucas poesias...


No livro ÁGUA DA FONTE, Paes Loureiro expõe, como poema, os elementos da infância, da memória e da imaginação. Suas palavras são verdadeiras águas que emanam de uma fonte inesgotável: a saudade do homem aos tempos de menino. Os poemas do livro são como as águas transparentes... Mas e essa ideia liquida, de que tudo escorre entre os dedos num breve intervalo de tempo, o que nos revela? Revela-nos que o tempo é senhor não conhece barreiras, a tudo vence, porém, o tempo nos deixa uma fonte chamada memória, e em suas águas mergulham poesias.

“Pensando bem, era simples ser feliz.

Bastava o amanhecer.

Uma pelada de rua bastava.

Bastava a mesa reunindo irmãos e amigos

em torno do paladar do peixe assado

e a cuia de açaí.

...

Bastava ter infância”


PENSANDO BEM.

Pensando bem, qual de nós, adultos moldados pela necessidade de um tempo que não cansamos de inventar, nunca visitou o baú da infância? Não são os versos que constroem essa poesia, é a infância, eternizada, que revela a poesia do absurdo: o absurdo do esquecimento, que, por sorte, Paes Loureiro nos convida a enxergar na memória a poesia da infância.

“O passado foge para trás do horizonte

e espreita

ironicamente.

Os novos tempos

vão arrancando

Pela raiz

antigas crenças...”

O PASSADO.

O que nos arranca o tempo de agora? Talvez o tempo nos arranque pela raiz as antigas crenças, como Paes Loureiro sugere, mas a poesia nos convida a UM PUNHADO SAGRADO.


“Um punhado sagrado de tesouros,

eis a infância.

Chaves de ouro para a vida fora.

Relicário.

Clavenário.

E ter a vida toda ainda para morrer”.

A infância é a poesia do passado escrita com sonhos que esquecemos, hoje, de sonhar.

ÁGUA DA FONTE é um livro que nos sensibiliza por meio de suas palavras, com o jogo de memória que o autor nos pinta em uma tela chamada vida.

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© 2016 por Douglas N. L. Oliveira

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