top of page

ÁGUA GRANDE

  • Douglas N. L. Oliveira
  • 23 de nov. de 2017
  • 2 min de leitura

ÁGUA GRANDE / JEOVÁ DE BARROS. Belém/PA, 2007.

109 p.

 

Este foi o primeiro livro, de uma série de três, que comecei a ler, então eis aqui meus pensamentos sobre a belíssima obra do Poeta Jeová de Barros.

Jeová de Barros nasceu em Castanhal no Pará, mas foi na cidade de Capanema onde morou, que iniciou sua trajetória artística com Clovis Lins seu pai e mestre.

Licenciado em Educação Artística Habilitação Desenho pela Universidade da Amazônia - UNAMA, com Especialização em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará - UFPA.

Na carreira Docente trabalhou com "Arte Educação" no Ensino Médio, com "Retrato Falado e Semelhança Física" nas Academias de Polícia Civil e Militar e com "Estética e História da Arte" na Universidade Federal do Pará.

Papiloscopista e Perito em Retrato Falado, trabalha no serviço de Perícia Iconográfica da Polícia Civil do Estado do Pará.

Nas Artes Visuais trabalha Pintura, Desenho, Iconografia Cristã e Escultura em baixo relevo.

Na Literatura, participa do Movimento Literário Extremo Norte e apresenta "Água Grande", sua primeira publicação.

 


Jeová pode ser de Barros, mas sua poesia é água grande. Suas palavras navegam por um rio poético que passa pelo Marajó, “onde o vento é forte/ o rumo é norte/ me traz a sorte/ espanta a morte/ e deixa viver”. A água grande lambisca o Bar do Parque, “Bar-Doce-Lar/ onde até desconhecido/ rotulado de amigo/ espera ver o sol raiar”.

Há, na língua do Poeta de Barros, o fio da poesia que se transforma em Corda Grande que “vem alagando a rua na contra-mão/ vem vindo puxando/ a maior procissão”, enfileirando as palavras, formando versos para que o poema tenha sua procissão.

A menina da Sé agarra-nos pela memória, nos congela no átrio da lembrança; até a desobediência vira poesia. O que estará no mercado de São Brás? De Costa a “estátua do Sodré/ tá pensando na mulher/ que subiu de costa atrás”. E Sodré, por que sentado nos observa? O homem de pedra nas palavras de Barros “tá pensando como foi/ que a danada conseguiu/ subir de costas bem alto/ e de lá nunca caiu”.

O que nos diz a água grande? Diz que “quem faz poesia nunca morre/ é uma planta transplantada”, nos ensina também que “Dalcidiar é um verbo/ que se conjuga com chuva/ com queda de manga/ com canto de Iara”, mais ainda, “é um verbo paraoara que a gente vai conjugando/ e o tempo vai mundiando / e devagar vai cercando/ pode até enfeitiçar”. Digo-lhes que enfeitiçou-me. Fascinou-me a poesia da memória, como aquele em que “minha vó cheirava a pó/ ela era acostumada/ a noite toda dormia entalcada/ dormia cheirando a pó”.

Tomo a liberdade de ser o personagem, de um dos poemas de Jeová de Barros, e digo-lhe “sirva-me garçom/ um verso quente/ um café e um soneto/ versos curtos em tercetos/ do tamanho da Rita Melém”, pois “eu quero um verso do Apolo/ da ilha grega do Outeiro”.

O vai-e-vem das palavras em água grande é como uma canoa que desliza sobre um rio sereno. Naveguemos!

Peço à poesia, suplíco à cidade das mangueiras: Belém, não te esqueças dos teus poetas!



Destaque
Tags

© 2016 por Douglas N. L. Oliveira

  • Instagram - Black Circle
  • Facebook - Black Circle
  • Google+ - Black Circle
bottom of page